Falham-me, falham-me os sentidos. Fixo os dedos na terra, mantenho-me sentada no chão, as pernas cruzadas como se pudesse levitar. O lábio inferior sente-se sufocado pela pressão que é exercida pelos dentes, o nada é fixo pelos olhos, as glândulas lacrimais tentam controlar a grande produção de lágrimas que tendem a libertar-se. Pára. Volta a envolver-me o corpo, retém o tempo e apaga todas as luzes do mundo. Recua. Quero tornar a ver-te de longe, aproxima-te lentamente, reduz a velocidade conforme existe também uma diminuição da distância. Progride. Solta-me do abraço, segura o meu rosto com as mãos, chora de emoção sobre a minha face. Novamente, retrocede. Estaca à minha frente, executa outra vez a expressão facial de quem esperou tanto por aquilo, ajuda-me a levantar do chão. Chega de levitar, adianta para o momento do cerco. Estou segura nos teus braços, a tua voz repete inúmeras vezes palavras desconexas na escuridão do mundo que trouxeste, o meu lábio finalmente sente-se livre para respirar. Vai para o final. Une as nossas mãos num nó, finge que podemos estar assim todos os dias, volta a enganar o tempo. Altera a ordem dos acontecimentos, sobressai ou anda para trás, vai para o meio. Mas desta vez, fica, não partas. Falta, fazes-me falta. Restauração de forças, não consigo convalescer sem ti. Onde estás? Onde estão? Os meus sentidos.
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nem sei bem o que dizer. fiquei bastante surpreendida. És grande, Inês (;
ResponderEliminarInês, devias-te dedicar à escrita, tens muito jeito, e as tuas palavras encantam qualquer pessoa. Fico muito orgulhosa de ti, minha querida. ;)
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